Uma loja entra em ruptura. Outra termina o mês com o mesmo produto parado.
Quando isso acontece dentro da mesma rede, o problema pode não ser falta ou excesso de estoque. Pode ser distribuição.
Segundo o IHL Group, rupturas e excessos representam juntos cerca de US$ 1,7 trilhão em perdas anuais no varejo global, o equivalente a 6,2% das vendas do setor. 65,6% desse impacto vem de rupturas e 34,4% de excesso de estoque.
Fonte: IHL Group, 2026 Inventory Distortion Study.
Os dois problemas podem existir ao mesmo tempo. Por isso, antes de comprar mais ou recorrer a promoções para girar produtos, vale perguntar: o estoque está realmente onde a demanda acontece?
1. O mesmo produto falta em uma loja e sobra em outra
Um SKU pode vender rapidamente em uma unidade e permanecer parado em outra. Nesse cenário, comprar mais para corrigir a ruptura pode aumentar ainda mais o excesso da rede. Antes de repor, compare giro, cobertura e disponibilidade do mesmo produto entre lojas.
2. Transferências emergenciais viraram rotina
Transferências entre lojas fazem parte da operação. O problema começa quando elas se tornam constantes.
Se determinadas unidades sempre precisam buscar produtos em outras lojas, isso pode indicar que a distribuição inicial não está acompanhando o comportamento da demanda.
Observe quais SKUs são transferidos com frequência e quais lojas aparecem repetidamente como origem ou destino. Esses padrões podem ajudar a melhorar o próximo abastecimento.
3. Uma loja dá desconto em um produto que vende bem em outra
Produto parado costuma virar promoção mas antes de reduzir margem, vale verificar se existe demanda pelo mesmo SKU em outro ponto da rede.
Se uma loja está próxima da ruptura enquanto outra acumula estoque, redistribuir pode ser mais interessante do que aplicar desconto. Antes de criar uma promoção, pergunte: esse produto precisa de preço menor ou apenas de outro endereço?
4. O estoque total parece saudável, mas algumas lojas continuam sem produto
Uma rede pode ter milhares de unidades disponíveis e, ainda assim, perder vendas e isso acontece porque estoque total e disponibilidade para o consumidor são coisas diferentes.
O cliente compra em uma loja, região ou opção de retirada específica.
Por isso, é importante saber onde temos e onde existe maior probabilidade de venda?
5. O desequilíbrio só aparece quando o problema já aconteceu
Se a equipe percebe o problema apenas depois da ruptura ou quando um produto já está parado há semanas, a operação está reagindo à consequência.
O ideal é acompanhar sinais anteriores, como:
- Aceleração ou queda no giro;
- Cobertura por loja;
- Risco de ruptura;
- Excesso de estoque em unidades específicas;
- Diferenças de venda entre lojas semelhantes.
Assim, a redistribuição deixa de ser apenas uma correção emergencial e passa a fazer parte da gestão da rede.
Redistribuir melhor também ajuda a comprar melhor
Os movimentos de estoque também contam uma história. Se uma loja recebe constantemente o mesmo SKU de outras unidades, talvez sua necessidade esteja sendo subestimada.
Se outra envia repetidamente determinados produtos, talvez esteja recebendo mais do que sua demanda comporta. Com o tempo, esses padrões ajudam a melhorar abastecimento, sortimento e planejamento de compra. Por isso, em redes com múltiplas unidades, a pergunta não deveria ser apenas quanto estoque existe.
Mas, o que precisa mudar para que o produto e demanda se encontrem?



