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Feb 2026
Isabela Nunes
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Isabela Nunes

5 estratégias criativas para otimizar suas campanhas de Black Friday além do desconto

Na Black Friday, é fácil cair na mesma disputa de todos os anos: mais desconto, mais mídia, mais urgência e mais anúncios tentando chamar a atenção do mesmo consumidor. O problema é que o consumidor também mudou.

Segundo uma pesquisa do Google para a Black Friday 2026, 48% das pessoas já chegam à temporada com uma lista de compras pronta e 44% começam a pesquisar preços e condições antes do período oficial. Além disso, 57% já utilizam ferramentas de inteligência artificial em suas jornadas de compra.

Ou seja: quando sua campanha começa, parte da decisão pode já estar acontecendo.

Isso significa que otimizar uma campanha de Black Friday não depende apenas de aumentar orçamento ou encontrar a promoção mais agressiva. Existe uma oportunidade maior em usar melhor os sinais que o varejo já possui: intenção de compra, localização, disponibilidade de produtos, comportamento do consumidor e performance de cada loja.

Veja cinco estratégias que podem ajudar sua operação a fazer isso.

1. Deixe o estoque participar da decisão de mídia

Normalmente, campanhas são otimizadas olhando para métricas como conversão, ROAS, custo por aquisição e volume de vendas. Mas existe outra informação que pode mudar completamente essa decisão: onde ainda existe produto disponível para vender.

Imagine uma rede com dezenas de lojas anunciando o mesmo tênis durante a Black Friday. Em uma região, o produto está praticamente esgotado. Em outra, existem dezenas de unidades disponíveis. Mesmo assim, a mídia continua distribuindo investimento da mesma maneira entre as duas localidades.

Existe demanda. Existe estoque. Eles apenas não estão no mesmo lugar.

Uma estratégia mais inteligente é incorporar disponibilidade à análise das campanhas. Produtos com boa demanda e estoque disponível em determinadas regiões podem receber mais exposição, enquanto a mídia de itens próximos da ruptura pode ser reduzida, redirecionada para outra unidade ou substituída por produtos equivalentes.

Antes da Black Friday, experimente mapear:

  • produtos com maior profundidade de estoque por região;
  • itens com histórico de alta procura e ruptura;
  • lojas com estoque excedente de SKUs estratégicos;
  • regiões em que existe demanda digital, mas baixa participação nas vendas;
  • produtos substitutos que podem assumir a campanha caso determinado SKU se esgote.

Na prática, estoque deixa de ser apenas uma informação operacional e passa a funcionar também como um sinal para decisões de mídia.

2. Crie campanhas para necessidades, não apenas para produtos

Durante anos, boa parte da publicidade de varejo foi construída em torno de categorias e produtos.

“TV 55 polegadas.”

“Notebook em promoção.”

“Geladeira com 30% de desconto.”

Essa lógica ainda funciona, mas já não representa toda a maneira como o consumidor pesquisa.

O Google aponta que as buscas realizadas no Modo IA são, em média, três vezes mais longas do que pesquisas tradicionais. Em vez de inserir apenas o nome de um produto, consumidores conseguem explicar contexto, orçamento, preferências e o problema que querem resolver.

Uma busca por “notebook”, por exemplo, pode se transformar em algo parecido com:

“Qual notebook até R$ 4 mil é melhor para trabalhar com edição de vídeo e levar na mochila todos os dias?”

Para a Black Friday, isso abre uma oportunidade interessante: organizar parte da comunicação ao redor de missões de compra, e não somente de categorias.

Em vez de apresentar uma sequência de produtos isolados, a campanha pode ajudar o consumidor a resolver situações como:

  • montar o primeiro apartamento;
  • trocar de celular sem ultrapassar determinado orçamento;
  • montar um escritório para trabalhar de casa;
  • comprar presentes para diferentes perfis;
  • começar uma nova atividade ou hobby;
  • substituir um eletrodoméstico antigo por uma opção mais econômica.

A própria análise do Google sobre a Black Friday 2026 aponta uma mudança de “produto” para “necessidade”: o consumidor chega com um problema mais bem definido e espera que marcas e sistemas consigam ajudá-lo a encontrar a solução.

Isso pode influenciar anúncios, landing pages, páginas de categoria, criativos e até a forma como os produtos são agrupados.

O desconto continua existindo.

Mas ele deixa de ser toda a mensagem.

3. Transforme a loja mais próxima em parte da oferta

Na internet, quase todas as marcas conseguem competir usando os mesmos elementos:Preço.

Cupom.

Frete.

Parcelamento.

Desconto.

Mas varejistas com lojas físicas possuem uma vantagem que muitas vezes aparece pouco na estratégia de mídia: proximidade.

Para determinados consumidores, saber que um produto está disponível perto de casa e pode ser retirado ainda naquele dia pode ser tão relevante quanto alguns pontos percentuais adicionais de desconto.

Isso significa que a loja física pode fazer parte da própria proposta da campanha.

Em vez de conduzir todo consumidor para uma experiência nacional e genérica, a marca pode explorar mensagens e experiências relacionadas à disponibilidade local.

“Disponível perto de você.”

“Compre online e retire na loja.”

“Encontre em uma unidade próxima.”

O ponto não é simplesmente adicionar a loja ao anúncio. É utilizar localização e disponibilidade para reduzir uma das maiores incertezas da jornada: “vou conseguir comprar isso quando chegar lá?”

Essa estratégia ganha ainda mais importância durante a Black Friday, quando estoque e prazo podem mudar rapidamente.

Uma loja com disponibilidade pode absorver uma demanda que o e-commerce não conseguiria atender no prazo desejado. Outra unidade pode oferecer retirada imediata. Uma terceira pode ter justamente o produto que acabou em outra região.

“Na Black Friday, a loja física não precisa competir com o digital. Ela pode ser uma das razões pelas quais a campanha digital converte.”

Para isso funcionar, porém, existe uma condição: as informações de estoque, produto e localização precisam estar suficientemente conectadas para que o consumidor encontre uma promessa que a operação consiga cumprir.

4. Faça o investimento acompanhar o que acontece ao longo do dia

Black Friday é uma das poucas situações em que o cenário de uma campanha pode mudar radicalmente em algumas horas.

Às 8h, uma loja pode ter 80 unidades de determinado produto.

Ao meio-dia, 35.

Às 16h, apenas cinco.

Mas a campanha pode continuar recebendo verba exatamente como foi planejada dias antes.

É aqui que existe outra oportunidade de otimização.

Em vez de trabalhar apenas com uma estratégia definida antes da Black Friday, varejistas podem estabelecer critérios para reagir ao comportamento da operação durante a própria campanha.

Se determinado SKU estiver próximo da ruptura em uma região, por exemplo, existem diferentes decisões possíveis:

  • reduzir sua exposição naquela localização;
  • priorizar outro produto semelhante;
  • direcionar consumidores para uma unidade próxima;
  • redistribuir investimento para regiões com maior estoque;
  • aumentar a exposição de produtos que precisam de maior giro.

A mesma lógica vale para movimentos positivos.

Segundo o Google, operações automatizadas e baseadas em inteligência artificial apresentaram ROAS 18% maior do que operações manuais em uma meta-análise brasileira que avaliou R$ 12 bilhões em investimento em mídia.

O ponto não é simplesmente automatizar campanhas.

É reduzir o intervalo entre algo mudar na operação e a estratégia conseguir responder a essa mudança.

5. Meça também as vendas que poderiam ter acontecido

Quando a Black Friday termina, alguns indicadores aparecem imediatamente.

Faturamento, conversões, ROAS, ticket médio, novos clientes, todos são importantes.

Mas existe outra pergunta que pode gerar aprendizados muito mais relevantes para a próxima campanha:

Onde havia demanda que sua operação não conseguiu capturar?

Uma campanha pode apresentar bom resultado e, ainda assim, esconder oportunidades perdidas.

O Google encontrou um sinal interessante dessa diferença entre gerar demanda e conseguir capturá-la. Em uma análise realizada pelo Google Cloud com 35 grandes e-commerces brasileiros, 18 apresentaram algum tipo de falha técnica ou de processo na jornada de compra durante a Black Friday anterior. Mais da metade.

Isso mostra que existe uma camada de performance que acontece depois do clique. E ela pode estar em estoque, integração, experiência de compra, disponibilidade ou capacidade de transformar dados em decisões.

Por isso, a análise pós-Black Friday pode ir além de perguntar quais campanhas tiveram melhor retorno.

A melhor campanha pode ser aquela que reage melhor

Na Black Friday, competir apenas por atenção fica cada vez mais caro.

Metade dos consumidores afirma ter dificuldade para identificar quais promoções realmente valem a pena, segundo a pesquisa do Google para 2026. Em um ambiente saturado por ofertas, simplesmente adicionar mais uma campanha ao feed pode não ser suficiente.

A oportunidade está em usar melhor aquilo que grandes redes já produzem diariamente: dados sobre produtos, demanda, estoque, localização, lojas e comportamento de compra.

Quando essas informações começam a conversar, mídia deixa de ser apenas uma ferramenta para gerar tráfego. Ela passa a ajudar a direcionar a demanda para onde existe maior oportunidade de convertê-la. E talvez essa seja uma mudança importante para esta Black Friday.

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